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O PSOL fez 25 vereadores em 13 estados, dentre esses nossos
companheiros Eliomar e Renatinho, eleitos, respectivamente, no Rio e em
Niterói. A força do voto de legenda (aqui, maior do que a do PSDB, DEM,
PPS, PSB e PDT), as importantes votações de nossos candidatos à
prefeitura em várias capitais e a histórica votação de nossa
companheira Heloísa Helena em Maceió - marco político nacional desta
campanha municipal - atestam que travamos o bom combate, fortalecendo o
PSOL.
Fizemos uma bela campanha no Rio de Janeiro. Firme e digna.
Comparecemos a todos os debates promovidos por entidades da sociedade
civil organizada. Registramos em cartório nosso compromisso público e
não recebemos contribuições de campanha provenientes de empreiteiras e
bancos. Tivemos no companheiro Chico Alencar a expressão plena de
nossas idéias, causas e propostas. E na militância aguerrida, o exemplo
permanente de mobilização em torno de nosso projeto de transformação
social. As eleições municipais no Brasil confirmaram o predomínio
da despolitização e do liberalismo, em suas várias versões. Os partidos
que saíram vitoriosos eleitoralmente desse processo, PMDB e PT,
constituem o núcleo central da base do Governo Lula e são os braços
políticos que operam as privatizações aliadas às políticas
clientelistas. No Rio, a campanha foi a da mais descarada compra
de voto. As ruas da cidade eram tomadas por “boqueiros” que recebiam
para segurar placas. Não se tratou apenas de campanha paga, mas de um
novo tipo de compra de votos que se agrega a indústria de eleições já
existente, que movimenta bilhões, serve para lavar dinheiro e muitas
vezes serve de instrumento ao crime organizado, aquele estruturado
pelas classes dominantes, principalmente o que opera por intermédio de
agentes do Estado. Com esse quadro adverso para a esquerda as
eleições significaram um enorme desafio para o jovem Partido Socialismo
e Liberdade em todo o país. Enfrentamos as máquinas partidárias de
direita – que, em geral, utilizaram-se das estruturas públicas – e o
financiamento milionário de campanhas, por parte de empresas
interessadas em negócios nas prefeituras. Fizemos
malabarismos no exíguo tempo que a distribuição antidemocrática nos
meios de comunicação nos destinou. Não houve debate entre candidatos e
a cobertura tendenciosa nos jornais e TV impossibilitou o confronto de
idéias e propostas. Essa eleição foi marcada pela despolitização da
política. Nossa coligação apresentou um projeto que combateu os interesses do grande capital.
Fizemos o contraponto àqueles que, sob o discurso da modernidade e da
eficiência administrativa, representavam na verdade alternativas
conservadoras. No Rio de Janeiro, no contexto do segundo
turno, entendemos que a candidatura de Eduardo Paes – hoje Sérgio
Cabral e Lula, ontem, Marcello Alencar e FHC, anteontem César Maia -
expressa a vontade de implementar no Rio as políticas do PMDB. As
mesmas praticadas nos governos Garotinho e Rosinha, tão nocivas ao
nosso Estado e marcadas pela privatização, pela retirada de direitos e
pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Reconhecemos
que parte significativa dos que votaram no candidato Gabeira o fez a
partir de um olhar progressista. Sua candidatura, entretanto,
sustentada pelo PSDB e naturalmente apoiada por César Maia, do PFL/DEM,
com quem o PV governou o Rio por 12 anos, incorpora um projeto
privatista e antipopular. Nesse cenário, o PSOL não apoiará
nenhuma das alternativas apresentadas ao segundo turno. Continuaremos
na busca da organização popular e da mobilização cidadã em defesa dos
interesses da maioria da população. Com coerência e responsabilidade,
os esforços do PSOL serão para crescer e se credenciar como alternativa
política, ideológica e eleitoral para o município e o estado do Rio de
Janeiro. QUALQUER QUE SEJA O ELEITO, NOSSA ATUAÇÃO SERÁ SEMPRE CRÍTICA
E PROPOSITIVA, PAUTADA NOS INTERESSES DO POVO CARIOCA. Executiva do PSOL-RJ Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2008. |